Tiãozinho é suspeito de ocupar áreas com minério para depois negociá-las.
A magistrada determinou o trancamento de um inquérito instaurado em 2022 pela Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal, que investigava suspeitas de que servidores da Agência Nacional de Mineração teriam recebido propina para beneficiar Tiãozinho e a empresa dele, a Luz Mineração Ltda., em decisões sobre áreas de cobre e ferro no sudeste do Pará.
A investigação havia sido motivada por denúncias da concorrente Ferro Brasil Mineração Ltda., que apontou supostos favorecimentos dentro da ANM ao empresário. As apurações resultaram no afastamento de três servidores e deram origem, em 2023, à Operação Grand Canyon 2. Tiãozinho já havia sido alvo da primeira fase da operação, em 2015, que expôs um esquema semelhante envolvendo agentes da antiga DNPM.
Durante diligências realizadas pela PF em 2023, em endereços ligados ao empresário, não foram encontrados sinais de funcionamento das mineradoras associadas a ele como movimentação de caminhões levantando suspeitas de empresas de fachada.
A decisão de Maria do Carmo, proferida em setembro e publicada em novembro, ainda em caráter liminar, contraria a PF e o MPF ao aceitar o argumento da defesa de que o caso seria fruto de pressão ou disputa empresarial. O despacho surge em um momento em que Tiãozinho trava ao menos quatro disputas contra a Vale envolvendo direitos de exploração mineral na região de Carajás. Em todas, ele questiona decisões da ANM que favoreceram a mineradora e reivindica prioridade para pesquisa e lavra.
Advogados da Vale afirmam que a empresa teria sido prejudicada por decisões de servidores investigados nas duas fases da Grand Canyon. Procurada, a companhia não se manifestou.
A reportagem também buscou Tiãozinho. Ele inicialmente disse que falaria, mas depois ofereceu dinheiro para que nada fosse publicado.
